
Emigrando para Fortaleza, Lara Denise começou a ser cativada pelos muros. Entreolhava os arredores do Benfica, bairro onde fez sua graduação, mestrado e doutorado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará. Observava os nomes inscritos nas paredes do Grande Bom Jardim, região em que trabalhou durante três anos. Iniciava-se, então, os primeiros passos de pesquisa sobre as intervenções urbanas da cidade, da Antônio Sales até a ponta da BR.
Leu os léxicos de cada parede por onde passava. Algumas traziam mensagem de alento. Outras, em memória de alguém ou a um espaço esquecido. Passou a perceber os atropelos que vinham de um dia para outro. Na parede, um risco que antes estava em destaque, agora está tomado por outro. Enxergou os murmúrios de uma cidade: suas efemeridades, conflitos e paixões.
Partilhadora do Fortaleza de Afetos, a sua tese de doutorado, Lara misturou também a sociologia, as paredes da cidade, o interior de si mesma e o dos artistas urbanos registrados. A palavra “partilha” aqui se torna mais adequada do que “autoria”, já que “todos nós estamos lá escrevendo, e essa ideia de autoria, ela é diluída porque é coletiva”.
Embora as Ciências Sociais potencializem o senso de observação, o projeto possibilitou novas abordagens na pesquisa acadêmica. Ajudou a construir coletivamente a ideia de que um risco na parede tem importância. Interessa tanto quanto os temas clássicos da Sociologia. Ela atinge quem escreve e quem vê.
Sendo afluente dessa arte, Lara Denise relembra a história da pesquisa e compartilha vivências da arte urbana.
Confira a entrevista:
