
NOSSA HISTÓRIA
Desde os tempos primitivos, a tinta na parede é uma das formas mais antigas de comunicação humana. Das pinturas rupestres feitas com ossos, pedras e gravetos às intervenções urbanas com spray, pincel e rolo de lã, o desejo de marcar o espaço público sempre acompanhou a evolução da sociedade. Hoje, concreto e tijolo são as telas onde a cidade registra sua história. Enquanto alguns classificam toda intervenção como graffiti, outros diferenciam entre grafite, pichação, muralismo e outras expressões. Mas, independentemente da nomenclatura, cada traço é uma voz na paisagem.
A arte urbana, como a conhecemos hoje, tem suas raízes no final dos anos 1960, nos bairros periféricos de Nova York e Filadélfia, cidades dos Estados Unidos (EUA). Jovens da cena hip-hop começaram a marcar seus nomes e mensagens políticas em muros e metrôs, criando assinaturas estilizadas conhecidas como tags. O graffiti logo se espalhou pelo mundo, assumindo diferentes formas e propósitos. No Brasil, ganhou força nos anos 1980, principalmente nas periferias, assim como nos EUA, onde se tornou uma ferramenta de expressão e ocupação do espaço urbano. Como define a pesquisa “Graffiti: da transgressão à arte e o 'boom' em Fortaleza”, a arte urbana nasce na periferia como meio de imprimir pela cidade os anseios e a presença desses marginalizados.
Fortaleza é um cenário dinâmico dessas manifestações visuais. Cidade de praia e de arte subversiva, onde o espaço é constantemente reivindicado. Dos murais vibrantes aos pixos de protesto, das frases motivacionais às caligrafias enigmáticas, a cidade se transforma em uma galeria a céu aberto. Algumas dessas marcas são rapidamente apagadas pelo poder público; outras resistem, multiplicam-se e redefinem a identidade urbana.
As ruas são territórios de disputa e os muros, superfícies onde surgem murmúrios.
Murmúrios que se manifestam como ruídos coletivos, camadas de tinta sobrepostas, vozes que ganham forma no concreto. O barulho das águas dos rios, o vento balançando as folhas, o som metálico das latas de spray sacudidas no escuro. Sussurros que contam histórias, reivindicam espaços e desafiam narrativas. Traços rápidos, marcas de presença, manifestações de resistência.
O site Murmuros percorre diferentes cantos de Fortaleza para explorar a relação entre o graffiti, os espaços urbanos e as comunidades. Aqui, você encontrará grafiteiros veteranos e novos talentos, além de coletivos e crews que fazem do graffiti um ato de arte, protesto, educação e pertencimento.
Nossa escolha de editoria se relaciona com a visão de mundo de cada repórter e participante do site. O pixo e o graffiti vão além do simples fazer artístico e se estabelecem como política e voz daqueles que urgem por ser ouvidos pela cidade.
O Murmuros não apenas registra a presença do graffiti e do pixo por Fortaleza – ele se posiciona ao lado de quem faz e transforma esses espaços. Nossa cobertura busca ir além do olhar tradicional da mídia, que muitas vezes criminaliza ou reduz essas expressões a uma simples estética. Aqui, damos voz a quem usa os muros como páginas de sua própria história, traduzindo camadas de tinta em narrativas vivas sobre identidade, luta e pertencimento.
A tinta na parede continua comunicando, transformando e provocando e o Murmuros está aqui para amplificar essas mensagens. Porque cada traço no concreto carrega uma história que precisa ser contada. Se os muros falam, nós ouvimos. Se as ruas protestam, nós ecoamos. Se a cidade insiste em apagar, nós escrevemos de novo.


EQUIPE DOS MURMUROS

Designer e Repórter Riachos
XAIO LOPES
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Redatora e Repórter Riachos
ISABELLA PASCOAL

Repórter Ecos
GRASIELER MARTINS

Repórter Ecos
YASMIN LOUISE SZEZERBATZ

Direção de audiovisual, edição de imagens e Repórter Afluentes
CLARA KLINK
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Repórter Afluentes
ANA ALICE FREIRE


Ilustrador
WELLYSON SOARES



Professora do curso de Cinema da Universidade Federal do Ceará e articuladora da Mostra Visual do Titanzinho
DEISIMER GORCZEVSKI

Líder comunitário e membro da Comissão Titã
ANTÔNIO JOSÉ "DUDÉ"

Artista visual e ativista comunitário
WRYEL CARLOS "MAD MAX"

Grafiteira e estudante de Artes Visuais do Instituto Federal do Ceará (IFCE)
ATYPOS

Artista Urbana
PELIGROSA

Professora no curso de Ciências Socias Da Universidade Vale Do Acarau (Uva) e produtora Do Fortaleza De Afetos
LARA DENISE

Integrante do Vandal Gril Crew (Vgc) Em Fortaleza
PANTERA

Líder do Vandal Gril Crew (Vgc) Em Fortaleza
CUNHÃ

Líder do Feras of Xarpi (F.O.X)
SOSÔ

Afro-empreendedor periférico, bacharelando em Comunicação Social. Idealizador da marca Hust Street. Produtor cultural do bairro pirambú com projeto Arteculando
CAIO VIEIRA

Graduanda em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda na Universidade Federal do Ceará, artista visual, grafiteira.
MILENA RAISSA

Artistas de Rua e Modelo de Marcas Periféricas
HARRISON FAÇANHA

Mãe solo, mulher cis.
Ex-presidiária, dentro do sistema aprendeu a fazer sobrancelhas. Além de profissional da estética, é ARTISTA AUTODIDATA, GRAFITEIRA E ARTE EDUCADORA no bairro Serrinha.
LETÍCIA OLIVEIRA
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Artista Plástica, Agente Cultural, Educadora social Fotógrafa.
ANA ELIZA